terça-feira, 20 de abril de 2010

Reaprender a ser livre...


Apegos são fontes inevitáveis de sofrimento. Quanto mais nos apegamos às situações, objetos, pessoas, mais vulneráveis nos tornamos.

Visto que a essência da vida é a impermanência, desejar a posse eterna de tudo a que nos afeiçoamos, é uma ilusão. Entretanto, poucos de nós estão preparados para viver uma existência sem apegos.
As experiências de perda nos lembram, de modo doloroso, o quanto precisamos aprender a aceitar esta realidade. Aceitar significa, antes de tudo, não resistir às perdas, quando elas acontecem.
Criar uma resistência interior só faz prolongar ainda mais a dor e a angústia que sentimos. Quanto mais rapidamente aprendermos a dominar a arte da aceitação, mais seremos capazes de nos manter imunes ao medo da rejeição, da escassez, da solidão.
Embora seja este um dos principais aprendizados da vida, ninguém nos ensina a cultivar esta atitude. Ao contrário, somos treinados não para compartilhar, mas, sim, para depender do outro, como se nossa própria individualidade fosse algo sem valor.



Reaprender a ser livre e a não se manter preso a condições para poder estar feliz é o caminho mais sensato para que nos libertemos de uma vez da prisão dos apegos.

sábado, 17 de abril de 2010

Será que sabes o que é ser cativado???

Então a raposa apareceu.










- "Bom dia", disse a raposa.

- "Bom dia", o Pequeno Príncipe respondeu educadamente. "Quem é você? Você é tão bonita de se olhar."

- "Eu sou uma raposa", disse a raposa.

- "Venha brincar comigo", propôs o Pequeno Príncipe. "Eu estou tão triste."

- "Eu não posso brincar com você", a raposa disse. "Eu não estou cativada."

- "O que significa isso - cativar?"

- "É uma coisa que as pessoas freqüentemente negligenciam", disse a raposa. "Significa estabelecer laços." "Sim", disse a raposa. "Para mim você é apenas um menininho e eu não tenho necessidade de você. E você por sua vez, não tem nenhuma necessidade de mim. Para você eu não sou nada mais do que uma raposa, mas se você me cativar então nós precisaremos um do outro".



A raposa olhou fixamente para o Pequeno Príncipe durante muito tempo e disse:

- "Por favor cativa-me."

- "O que eu devo fazer para cativar você?", perguntou o Pequeno Príncipe.

- "Você deve ser muito paciente", disse a raposa. "Primeiro você vai sentar a uma pequena distância de mim e não vai dizer nada. Palavras são as fontes de desentendimento. Mas você se sentará um pouco mais perto de mim todo dia."



No dia seguinte o principezinho voltou.

- "Teria sido melhor voltares à mesma hora", disse a raposa. "Se tu vens por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens por exemplo a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos".



Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa e depois chegou a hora da partida dele.

- "Oh!", disse a raposa. "Eu vou chorar".

- "A culpa é sua", disse o Pequeno Príncipe, "mas você mesma quis que eu a cativasse".

- "Adeus", disse o Pequeno Príncipe.

- "Adeus", disse a raposa. "E agora eu vou contar a você um segredo: nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas você não deve esquecê-la. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa."