quinta-feira, 11 de novembro de 2010


Seria o frágil tão frágil e o forte tão forte?


A todo instante estamos sujeitos a golpes... Até aí nada de mais... O que faz a diferença, a grande diferença, é como lidamos com eles. Então eu pergunto: De quem é a dor maior? De quem se descabela se desorienta, se fragiliza, veste o papel de vítima, inspira cuidados e piedade? Ou de quem segura à onda? Ou ainda daquele que, como uma árvore, morre de pé, que reza sua dor em silêncio, que briga com todas as tensões e encara o rosto feio das mágoas para, num esforço sobre-humano, tentar seguir em frente sem fazer alardes, sem insistências vãs, sem se tornar um peso pra quem quer que seja? Deixo essa questão no ar... Seria o frágil tão frágil e o forte tão forte? Muitas vezes, é justamente o inverso, e é preciso relativizar.
Já estive nos dois lados. No começo da estrada, fiz barulho, gritei, chorei e apelei inconformada com a vida... Afinal, aprendi a rezar as avessas, minhas preces eram repletas de memórias de pobre coitada que dizia: Deus, estou sofrendo, eu juro que se você me ajudar eu vou melhorar, nunca mais vou pecar e blá-blá-blá. E, enquanto duelava comigo e com o mundo, achando que não suportaria golpes e perdas, a dor ia se dissipando, sem que eu percebesse, até sumir por completo... Esse é o efeito após as tempestades, todas as tempestades... Lembram daquela frase: "Tudo passa, isso também passa.
Passado algum tempo, a maioria nem lembra mais das tão dramáticas contusões, ou o porque de determinadas desavenças... Seguir adiante é o que estanca as hemorragias e cura as feridas. Que venham os próximos golpes! Se serão mais fortes e devastadores ou apenas um sopro no cangote, depende de nós, daquela nossa parte 100% responsáveis que coloca refletor em nossa consciência. Ativando nossa predisposição natural ao AMOR,   passamos a achar feio nossos desassossegos, nossas reações intempestivas são primárias e estridentes. Ainda que possamos lucrar algo com elas, nada acontece pelo que verdadeiramente somos, pelo fluxo natural da vida, mas pela pressão, pelo pieguismo, pelo cansaço, e muitas vezes pelo desconforto que causamos no outro. 
Vivenciar uma nova atitude como a Mente do Amor nos auxilia a passar para o outro lado, "ser dignos" do que somos em essência, mesmo que ainda tenhamos muita memória a limpar. Reaprendemos a não desmontar, não despencar, não desarrumar os cabelos, não borrar a maquiagem, não esquecer das outras peças da engrenagem, por mais lacerante que seja uma determinada situação. Não que os memoriados egos confessos sejam seres desprezíveis, mas é que o tempo passa, e no fundo, ego não perdoa... Fraquezas todos temos, memórias todos temos, crenças todos temos ou não seríamos humanos, o que fazemos com isso é que determina que parte do tempo estamos vivendo. Passado, presente ou futuro. A vida "real" se vive apenas no presente... O futuro é ilusório e o passado uma lembrança... Aos que não querem pagar o preço de vivenciar o agora de maneira consciente, não resta outra escolha senão se armar de uma pseudo-fortaleza e mentiras. E aí, além de sofrerem as dores lancinantes de golpes, perdas ou danos, ainda carregarão o peso da inconsciência. E como dói não poder deixar ir! Como dói não berrar a nossa dor, neutralizar nossos espasmos, se entregar a luz e regressar para nosso EU real.
Como é pungente, naqueles que exercitam a Mente do Amor não ter dor e não despencar. Enquanto memórias rodando no emocional somos patéticos equilibristas que morrem de pé, apenas por não nos permitir limpar... Não nos permitir viver a MENTE DO AMOR.
 






O ego gasta o Amor próprio... 

Dores, afrontas, insucessos, problemas financeiros, enfim brechas para o desamor. Nossa essência, nossa origem é plena e perfeita, mas por memórias rodando no emocional nos desabituamos nos desacostumamos a ser plenos, passamos muito tempo cultuando as intempéries, confundindo aceitação com resignação,nos desmerecendo, banalizando o tempo, retornando ao passado e dando um pulinho no futuro, mas esquecendo de viver o presente. Vagamos para tão longe que nos tornamos estranhos a nós mesmos. 
A falta de amor próprio pode ser o túmulo de nossos sonhos, colocando assim nossa alma lá no fundo, um túmulo de onde ele não ressuscita mais, ou de onde só ressuscita nas nossas memórias, e nomeadamente nos mitos que criamos e idealizamos.  Retornando ao amor em nós, morre a ilusão, as miragens de seres fictícios desaparecerem e assumimos nossa condição real e verdadeira. Entendemos que não somos mais a pessoa de dez anos atrás, mas reconhecemos nossa essência original plena e perfeita aflorando agora, prontinha para ser feliz hoje. 

Ter amor, ser amor, viver amor é tudo uma questão de hábito.




Porque achamos que temos que perdoar?


Você já foi ou já se sentiu traído pela pessoa amada, por amigos, no profissional e familiar...

Por que será que atualmente vivemos em um mundo tão fácil de trair?
É muito difícil perdoar quando se ama? Ou, pelo contrário, é mais fácil?

Acredito ser mais fácil, principalmente quando não temos consciência do mal feito pelo o outro.


O começo para o Perdão?


Perdoar uma traição é o caminho para que obtenhamos paz de espírito, eu acredito. Não se deixar abater, seguir em frente com a cabeça erguida, vivenciar o luto (também de cabeça erguida), ter integridade é o caminho.
Mas como esperar um comportamento completamente ilibado de quem é traído? Vingança é tudo que vem à cabeça num primeiro momento por todos os mortais. O que há de se esperar de nós quando o que a alma sente é a necessidade de uma compensação por todo sofrimento imposto pela outra pessoa? Mágoa, ressentimento, estresse, sensação de perda, sensação de ter sido feito de palhaço, de não ter sido respeitado.
 É verdade que quando há o amor verdadeiro, não há espaço para a traição; quando há o respeito, não há o espaço para a traição; quando há integridade, a traição se torna impossível; quando se está verdadeiramente no coração, não sentimos a necessidade de trair.

Quando não se ama verdadeiramente, então, trai.

A maioria de nós cai em desespero quando descobre uma deslealdade. Então... Se vingar ou mesmo entra em depressão. Outros até se matam. Não sou a favor da vingança, mas da compreensão, do papo aberto, da sinceridade, da honestidade, da franqueza. E por que não? A franqueza é melhor do que alimentar um comportamento falso que pode ocorrer em qualquer situação de vida: amoroso, amizade, profissional, familiar...

Mas de uma coisa tenho certeza: nossa paz e felicidade internas dependem - e muito - do bem que fazemos ao nosso próximo. Nosso equilíbrio, apesar das tempestades, depende de nossa consciência em direção ao bem. Nossa consciência, sempre leve, depende de nossa elevação interna sempre constante. Nossa fé na vida depende da fé que depositamos em Deus e da certeza de que Ele sempre está nas rédeas de tudo.

As traições nos fazem sofrer, mas manter a serenidade em uma hora dessas é o melhor caminho, e quanto a isso podemos seguir a Oração da Serenidade que em um trecho diz:

"Concedei-nos Senhor a Serenidade necessária para aceitar as coisas como são, Coragem para modificar as que podemos e Sabedoria para distinguirmos umas das outras..."

Serenidade, coragem e sabedoria, então, são as palavras-chave para que possamos superar uma traição. Serenidade, calma, tranqüilidade, paz para aceitá-la que alcançamos com o perdão... Coragem, bravura, audácia, força para enfrentá-la, que conseguimos com uma vontade determinada... E Sabedoria, elevação e bom senso para resolvê-la, alcançamos quando estamos conectados com nossa Luz Interior, que é o que irá nutrir a nossa consciência para nos orientar a uma decisão que seja a melhor possível para todos os envolvidos.